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domingo, 5 de setembro de 2010

Felicidade com prazo de validade?


Você se apaixonou novamente! Que ótimo! Sentiu todos os sintomas do apaixonamento, ficou mais leve, mais bobo, mais esperançoso e já fez cem-mil planos a dois. E olha que foi apenas uma tarde! A gente é bem capaz disso mesmo. E acho super positivo que tenhamos recursos para nos entregarmos dessa forma, pois não são todos que conseguem. Mas o fato é que o sortudo que te conquistou tem uma viagem marcada para um lugar bem distante e manter um namoro assim é quase impossível. E você, no auge da sua negação de ser infeliz, não quer nem começar a se entregar. Mas quando você nega a infelicidade e o sofrimento, está negando também a possibilidade de ser feliz. Quais as suas certezas além de um bilhete de passagem? E em quatro meses muita coisa pode acontecer: vocês podem namorar, podem se mudar de cidade, podem mudar de planos, podem se paixonar por outras pessoas, investir no sentimento de vocês, esquecer aquele encontro no metrô e tantas outras coisas. Haja fôlego para tantas possibilidades em quatro meses! E você só olhando para dezembro?
É bem verdade que todo relacionamento (o ficar, o namoro, o casamento ou o que quer que seja) tem o seu dia de início e o seu dia final. Ou seja, toda relação tem o seu prazo de validade. Ele acaba fisicamente, mas no nosso coração isso atravessa muitos anos e nunca deixa mesmo de nos constituir. Sendo assim, não vamos tratar da questão como se houvesse um fim certo e este fim tenha uma data para acontecer e depois você se afogará em lágrimas para sempre. Não! A vida não nos dá a garantia da infelicidade certa e nem da felicidade certa! Se você não tentar, vai continuar sofrendo, sozinho e achando que a vida foi injusta. Se você entrar de cabeça, pode sofrer, mas também pode ser muito feliz também, pode ver nesse tempo (no mínimo quatro meses) uma chance de seus olhos brilharem novamente e você perceber sim que pode amar muitas e muitas vezes (essa ou outra pessoa). Privar-se do sofrimento não te impedirá de sofrer. Quando estamos em uma relação não importa muito até quando ela vai durar, mas sim o modo como ela vai durar.
Aproveite, pois não é todo dia que o metrô nos traz um presente tão especial!
(Fabio Scorsolini)

A menina da minha imaginação


Ela dança, corre, pula e sorri. Olha pra mim, nada me diz, apenas me abraça e se entrelaça e me deixa sentir seu carinho por mim.
Tão surreal, sua pele branca macia, seus pelos escuros, seu sorriso largo, seu cabelo longo...
A menina da minha imaginação é uma mistura de pecado e magia, de ternura e sedução, de menina e mulher, do amor e da paixão. É fatal e ao mesmo tempo angelical. Inteligente, perspicaz, inquieta...
Ah, quando ela me abraça e quando me olha então, fingindo nada sentir, fingindo eu não ser nada, respirando em pausa, pensando no que vai dizer...
A menina da minha imaginação não existe realmente, eu a inventei há 1 ano, só que tento reinventá-la ou deletá-la, mas simplesmente não consigo, ou ela não deixa, solidificou no meu pensamento, virou sonho, virou tormento, deixa pra lá, vou arquivá-la, já que não consigo desfrutá-la.

Priscila e Cláudia



Quando me preparei para ir ao “Criança 2010” pensei, lá vou eu pra mais um congresso solitário, vou sentar-me, ouvir os palestrantes olhar para os lados e não encontrar nenhum colega pra discutir os assuntos e ir visitar os stands.
Eu estava era errado. Primeiro porque, ao embarcar no aeroporto de Aracaju, encontrei Dra. Andréia Franco, uma das maiores pediatras do estado de Sergipe, acompanhada do seu esposo Ehard, excelente companhia pra todos os momentos. Mas não foi essa a surpresa maior, apesar de este casal ter me proporcionado agradáveis momentos desde o último dia do evento até o retorno pra casa quando não paramos de sorrir ao lado do colega pediatra Huf que também encontramos por lá.
 A surpresa maior foi ter conhecido duas simpaticíssimas colegas, a Cláudia Bulhões e a Priscila Mimary. Que presente! Em 37 anos de vida e 13 de profissão nunca imaginei conhecer num evento médico duas colegas com tanta afinidade, agente assistia às mesmas aulas juntos, sentava juntos, visitava aos stands juntos, concorria aos sorteios juntos, lanchava juntos, fazia compras juntos, passeava juntos, fizemos o tour pela cidade juntos, enfim ficamos coladinhos o tempo todo, só nos separávamos na hora de dormir (rsrs).
Confesso que esperei mais deste congresso no sentido da programação científica, mas acabei me surpreendendo muito e ganhando muito mais no sentido social. Conheci o hospital Pequeno Príncipe, sonho realizado. Conheci Claudia e Priscila a maior surpresa de todo o congresso. Fortaleci laços de amizade com Andreia, seu esposo e com Huf.
Então eu vou dar nota 10 pra este evento e me preparar pra reencontrá-los todos no curso da Nestlé em maio de 2011, na mesma cidade.
Tomara que essa data chegue rapidinho, até lá ainda vou ver muito minha colega Andréia, Ehard e Huf, é claro.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Criança 2010

Estou em Curitiba, no estado do Paraná, confirmando como verdade tudo o que me falaram sobre esta magnífica cidade. Realmente fiquei encantado. Da janela do hotel, enquanto escrevo este texto, não me canso de olhar a paisagem urbana bela e organizada de arquitetura mesclada nestes mais de 3 séculos de existência desta formosa cidade sulista.
Viajei até aqui para participar de um congresso internacional que somente ocorre a cada 5 anos, promovido pelo maior hospital em referência pediátrica do Brasil, Hospital Pequeno Príncipe, o qual terei o prazer de conhecê-lo na tarde de amanhã e certamente escreverei um texto sobre esta visita posterioremente.
No evento agente conversa em 3 línguas: inglês, espanhol e português. É uma ótima oportunidade pra desenferrujar nosso inglês e o nosso espanhol técnico. O reencontro com colegas é sempre divertido, mas fazer novos amigos é um prazer imensurável. Em breve vou postar um texto sobre 2 novas amigas médicas que tive a imensa felicidade de conhecer durante esse congresso e essa amizade transformou o que seria uma sessão científica de solidão em uma divertida aventura.
Mas o que quero mesmo deixar ressaltado nesse pequeno texto é o fato de que mais uma vez estou muiiiiiiiito orgulhoso da minha Bahia, porque ao participar deste congresso internacional, tendo recentemente participado do Congresso Baiano de Pediatria, não pude deixar de comparar o nível dos trabalhos científicos e das aulas e chegar à seguinte conclusão: na Bahia, agente faz igualzinho ao que o resto do mundo tá fazendo, só que com muito mais calor e emoção.
Estou muito satisfeito de ser pediatra na Bahia, terra de todos os Santos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Entre a frieza e a vida




Por volta dos meus simplórios 14 anos de idade, minha vida não passava de uma cartilha cheia de regras e conformidades. Tudo aquilo que não fosse dentro do padrão social poderia ser descartado. Ciúmes então era regra número 1. Roupas compostas, cabelo arrumado, etiqueta, mais regras e mais ciúmes. Quanta bobagem. Quanto tempo perdido.

Naquele tempo eu me considerava frio e calculista, meus sentimentos eram planejados, mas sempre caia na armadilha dos amores platônicos. Também pudera, na simplicidade da minha adolescência eu estava classificado como a terceira pessoa depois de ninguém. Isso porque agente sempre considera importante nossas conquistas e se esquece do quanto somos importantes e conquistas pra outros. Na verdade eu tinha muita importância pra minha família e meus amigos. Tinha não, TENHO.

Mas o que desejo relatar aqui é a estranheza com que começamos nossas vidas, todo mundo protegido, como se não devêssemos ou não pudéssemos nos contagiar com a alegria dos outros, com as bobagens, com as virtudes e até mesmo com os vícios do irmão ao lado. Se eu soubesse que viver era assim tão maravilhoso, não tinha desperdiçado esses anos de minha adolescência sentindo ciúmes, planejando alguns sentimentos e me protegendo de outros. Se eu soubesse que a vida era essa delícia, eu tinha caído mais cedo na algazarra, na loucura, nos sonhos...

Sim, nos sonhos. Quando somos adolescentes sonhamos mais do que podemos realizar. Mentira! Agente sonha o tamanho do nosso poder de realização e, algumas vezes, sonha tanto que dá até pra dividir os sonhos com o amigo-irmão e se transformar em doador de sonhos.

Se eu soubesse que a vida era tão boa, teria inventado a máquina que faz o tempo parar e a que faz agente não parar nunca de rir, mesmo que seja pra chorar. Teria inventado a máquina que faz agente se apaixonar todo dia por algo diferente e uma outra pra aquecer nossos corações, muitas vezes gélidos.

Eu descobri que não adianta agente ser frio e calculista porque a vida se intensifica no calor das emoções. É amando e deixando ser amado que agente cresce. Quando resolvi jogar fora minha couraça pude aproveitar melhor cada segundinho desta maravilhosa vida.

Por quantas vezes pensei em como seria interessante ter essa mentalidade atual nos meus 18 anos. Mas como isso seria possível se meus pensamentos contemporâneos advêm de minhas experiências e estas são o resultado do que vivi ao longo destes 37 anos? Então me conformei em pensar assim enquanto ainda há tempo de viver um pouco mais, de sorrir muito mais, apaixonar-se ainda mais e amar infinitamente, sem nenhum preconceito.

Não sei, nem quero saber quanto tempo me resta. Vivo cada dia como se fosse o último, mas sempre deixando aquela sementinha, caso eu abra os olhos novamente amanhã. Desta forma sou imensamente feliz e ainda irradio essa alegria a quem convive comigo. Não perco tempo reclamando, pedindo, nem tão pouco agradecendo. Prefiro gastar o tempo aproveitando ao máximo tudo o que recebi. Agente é cobrado na medida do que ganha mesmo.

E não perco tempo reclamando das coisas que não deram certo. Sempre existirá o lado bom de todas as coisas. É só mudar o ponto de vista e teremos outra emoção.

Hum, emoção!

Estão vendo que tudo se baseia nela?

Não adianta querer ser gelo, porque o ser humano mantém sua temperatura interna constante. Se estamos frios, estamos mortos, sem vida.

Aos meus amigos frios e calculistas desejo-lhes sorte. A mesma que tive ao descobrir que o calor mantém nosso sangue circulando, nosso coração batendo e o cérebro funcionando. Já o frio, como disse há pouco, se não significar que estamos mortos, significa que estamos parados, inertes. Não falo isso com o coração, mas com a experiência destes anos de alegria contagiosa.

Então que tal sairmos de meros expectadores da vida e adentrarmos nesse espetáculo como atores principais?

Vamos! Ainda há tempo.

“Vamos nos permitir “ simplesmente “viver tudo o que há pra viver”.

Eu amo você, vida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Agradecimento (Rionegro)


Ao meu Pai do céu, hoje eu quero agradecer...
Tantas maravilhas, que eu tenho pra viver!
A terra, o céu, o mar e o ar que eu respiro...
Essa natureza que eu tanto admiro!
Pelo sol e pela lua, pela noite pelo dia...
Pelos meus amigos e a minha família!
Pelo sol e pela lua, pela noite, pelo dia...
Pelos meus amigos e a minha família!
Pela matas, obrigado Senhor
E os animias, obrigado Senhor
Pelos rios, obrigado Senhor
A minha paz, obrigado Senhor!!!
Ao meu Pai do céu, hoje eu quero agradecer...
Tantas maravilhas, que eu tenho pra viver!
A terra, o céu, o mar e o ar que eu respiro...
Essa natureza que eu tanto admiro!
Pelo sol e pela lua, pela noite pelo dia...
Pelos meus amigos e a minha família!
Pelo sol e pela lua, pela noite, pelo dia...
Pelos meus amigos e a minha família!
Pela matas, obrigado Senhor
E os animias, obrigado Senhor
Pelos rios, obrigado Senhor
A minha paz, obrigado Senhor!!!
Pelas crianças, obrigado Senhor
Pelos velhinhos, obrigado Senhor
Pela saúde, obrigado Senhor
Pelo emprego, obrigado Senhor!!!
Por minha fé, obrigado Senhor!
E pelo pão, obrigado Senhor
Pela justiça, obrigado Senhor
E pela música! Obigado Senhor 

Aconteceu no consultório


(lembrando que nomes são trocados para proteger a imagem de meus pacientes)

Quando agente é médico uma das coisas que aprendemos nas disciplinas de psicologia e pediatria é o fenômeno da transferência. Em outras palavras, quando você serve de fortaleza e se torna exemplo pra alguém é bem provável que este se apegue e transfira sentimentos pra esta relação profissional, criando afeto ou desafeto.
E médico é assim, é visto como uma coisa do outro mundo e se agente consegue quebrar esses estigmas fica mais fácil. Eu, particularmente, nunca gostei muito de ser chamado de doutor, sempre oriento todos a me chamarem de Alex, trabalhei muitas vezes sem a mesa entre mim e o paciente, queria fazer o paciente se sentir acolhido, sentar-se ao meu lado.
Até que as coisas mudaram...

Trabalhei por 2 anos em um posto de saúde no interior da Bahia onde realizava atendimento de clínica-médica, lá eu atendia do recém nascido ao idoso. Toda a comunidade já havia criado um forte laço de amizade comigo estreitando a relação médico-paciente.
Maria era uma paciente diabética assídua, tinha 32 anos, dessas que não perdia uma consulta. Agente ficou mais próximo quando Maria perdera sua mamãe e participamos do velório, dando aquele apoio de médico-amigo à família. Depois disso Maria tinha ficado muito mais à vontade pra me contar absolutamente tudo sobre sua vida.
Nossas consultas eram sempre mais longas que as dos demais pacientes, Maria tinha a necessidade de falar e de ser ouvida. Eu entendia que, ouvindo-lhe melhor, seria mais fácil sua adesão ao tratamento, como na verdade foi. Maria fazia tudo muito certinho, seus níveis de glicemia davam inveja a qualquer paciente não diabético. Mantinha seus exames em dia e sua saúde também.
O problema é que por traz de toda essa relação de amizade, Maria estava transferindo sentimentos de afeto pra mim e isso se tornou numa paixão unilateral que estava começando a me preocupar. Toda consulta era o motivo pra ela se insinuar e deixar uma cartinha recheada de mimos e paixão. Cada carta era uma declaração de amor.
Confesso que achava tudo muito bonito, mas não podia corresponder, então me mantinha mudo sobre esse assunto, nunca comentei o teor das cartas com ela e ao perceber que ela se insinuava, mostrava-me despercebido.
Tudo ia muito bem, parecia que a situação estava sob controle. Até que a última carta deixou-me deveras preocupado, Maria ameaçava fazer coisas absurdas (nem quero relembrar). Achei melhor conversar com um amigo mais experiente e mostrar-lhe as cartas, pedir-lhe uma orientação. A conclusão foi de que seria a hora de eu realmente intervir, inverter a situação.
Na consulta agendada, Maria apareceu, tranquila como de costume, irradiando saúde. Ao finalizar o atendimento, comentei com ela sobre sua última carta e sobre seu comportamento nos últimos 4 meses. Senti que ficara nervosa, um pouco pálida – estava percebendo que não iria atingir seu objetivo. De repente, no meio da conversa (achando eu ter o controle da situação), Maria pulou sobre mim e, num ato de desespero, começou a me beijar fugazmente. Não correspondi e tentava delicadamente afastá-la de mim, até ela perceber o insucesso de sua investida.
Quando Maria caiu em si, começou a chorar e, enquanto se recompunha, dizia-me que eu estava perdendo de ter uma mulher e tanto, que eu ira me arrepender de não ter dado essa chance a ela. E saiu sem me olhar nos olhos...
Maria sumiu do ambulatório por 2 meses, fiquei preocupado, mas sempre me avisavam que ela continuava o tratamento com outro médico. Isto me deixava aliviado, ela era um exemplo de paciente, não queria que sua saúde mudasse.
E não mudou. Quando Maria resolveu voltar a se consultar comigo continuava bem, sem agravos, mais magra e esbanjando serenidade.
Confesso que ela voltou mais fria, recuada, mas isso mudou com o tempo. Aos poucos ela percebia que podia ter de mim respeito, amizade, companheirismo e dedicação de médico. Isso já bastava.
Depois disso resolvi recolocar a mesa do consultório no seu devido lugar. Mas continuo deixando meus pacientes muito à vontade.
Hoje Maria está casada, comparece ao consultório para me trazer seu filho, mas sem a assiduidade de antes.
rsrs